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desacelerar

Costuma fazer desporto?
Calma, esta não é uma reflexão sobre estilos de vida saudáveis. Aparentemente.
Ainda que, se não experimentou, há muito quem mostre que esta pode ser uma boa mudança.

O desporto está repleto de ensinamentos sobre a vida. E tudo começa com uma questão de ritmo. Não acredita? Falemos então de ritmo, até porque os dias que correm convidam a desacelerar… Qualquer bom exercício exige sempre uma preparação. Sim, que o corpo é forte mas precisa de saber ao que vai para se aprontar. E de convocar reforços se for o caso de nunca ter tentado antes. Também o nosso dia-a-dia deve ser preparado adequadamente, de modo que cada ação tenha razão de ser e ajude o espírito a enfrentar “as horas de ponta” sem perder o rumo. Seguir desenfreadamente é meio caminho andado para dar voltas sem chegar a lado algum, numa espiral onde não há noção de tempo ou de espaço.

Voltando ao desporto, seria como correr a maratona sem treinar.
Erro crasso.
Dizem os entendidos.

Com sorte de principiante pode bem ser que chegue com facilidade à meta.
Só não pare logo ali, repentinamente, no final.

O corpo precisa seguir diminuindo o ritmo, lentamente. Desacelerar, para perceber que é tempo de dar tempo ao esforço e tratar de se recompor. Descanso equivale a recuperação e é o ingrediente secreto da resistência, esse grande truque que usam as mentes fortes para gerir a subida às montanhas que se escondem por entre os vales de tranquilidade desenhados no mapa da vida.

Descansar para ser melhor…não soa bem?
Bom descanso, então.

Marta Faria

quadras de são joão

 

Chove... não chove? 
Mesas dentro? Mesas fora?
Lá fora! O S. João é ao ar livre! 
Toalhas. Cadeiras. Pratos.

Cozinha. Sobe. Desce.
Lavandaria. Sobe. Desce. 
Isto não é chuva... é orvalhada de S. João! 
Fogareiro. Carvão. Sardinhas. Sal.

Convidados. Abrir a porta. Entrar. Chegar.
Abraços. 
Sardinhas. Broa. Sangria. Sardinhas.
As palavras dos que nos são queridos.

Os nossos risos e os risos dos outros.
O som das conversas.
Afinal estamos bem cá fora. E não está a chover.
Cheirinho a café.

S. João que é S. João tem guitarra e acordeão.
S. João que é S. João tem balão. E quando ele sobe... muita emoção!!!

O nosso S. João é o melhor do mundo.
É o nosso.
São dias como estes que nos fazem grandes,
dias em que criamos memórias de momentos felizes.

Agradecimentos
No nosso S. João, o protagonista não é a sardinha.
O protagonista, sem o qual para nós não havia S. João, é o Carlos: o especialista na arte de assar! Muito obrigada!!!
Aos elementos da Associação Cultural e Desportiva da Lavandeira que nos trouxeram acordeão e música no coração. Muito obrigada!!!
Às famílias que aceitaram o nosso convite e nos presentearam com a sua presença e boa disposição. Muito obrigada!!!
A todos os colaboradores do Porto de Abrigo, da cozinha, da lavandaria e do economato um obrigada muito, muito especial. Ao longo do dia foram incansáveis! Sente-se quando o empenho e a dedicação são genuínos. Sente-se quando se cuida com o coração. Obrigada!!!

mudar é preciso

Quando foi a última vez que fez algo pela primeira vez?

Em tempo de tradições a sabedoria popular dá a inspiração para falar de mudança. Mudar é preciso, sempre.

«A vida é feita de constância!», dirão. Nada a opor quanto ao facto de andarmos em busca daquela base de segurança que sabe sempre bem. Ainda assim, para crescer, evoluir, chegar mais longe e mais perto de quem podemos ser, não basta. Mudar é preciso. Quando pensamos em mudança, resistir é um lugar-comum. Somos, de facto, seres de hábitos. Mas alguns de nós, estranhos seres, fazem da mudança o seu hábito constante. E primeiro estranha-se. Depois entranha-se.

De cada vez que experimentamos algo novo, uma sensação de desconforto faz-nos despertar das nossas respostas em modo piloto automático. Só que para lá de um friozinho na barriga e de uma quanta incerteza quanto ao que se possa passar, geralmente o resultado é emocionante. A experiência do experimentar é o que dá vida ao hábito de mudar. E traz mais sabor à vida: alimenta-nos o pensamento, tolda-nos a imaginação, agita-nos o corpo. Na verdade, menos importa aquilo que escolhemos tentar ou sequer se vamos querer repetir. O fundamental é ir, num exercício constante de descobrir e explorar.

Tem uma lista de coisas que gostaria de fazer ao longo da vida? Não a perca de vista, mais tarde. Para já, disponha-se a aceitar o que vier. Experimente o novo a cada dia e faça da mudança um estilo de vida: um caminho novo para casa no regresso do trabalho, uma receita diferente para o jantar, uma visita a um sítio que nunca lhe chamou à atenção, um livro de um tema que não domina, os sons de uma música que não costuma ouvir, conversas com pessoas com quem nunca pensou falar…procure preencher a rotina com uma novidade, aqui e ali.

Não esqueça que a quem muda, Deus ajuda. E verá que quando envelhecer terá muitas e boas histórias para contar!

Marta Faria

a nossa casa no mapa

 


A nossa casa foi o palco para a realização de um vídeo de apresentação da filosofia Humanitude do Instituto Gineste-Marescotti Portugal. Este vídeo surge no âmbito do Mapa de Inovação e Empreendedorismo Social (MIES), um projeto de investigação cujo objetivo é mapear iniciativas de elevado potencial de empreendedorismo social no Norte, Alentejo e Centro do País utilizando como base na metodologia ES+.


Parabéns ao IGM-Portugal que, entre mais de 4000 iniciativas sinalizadas, foi reconhecido e distinguido como uma das iniciativas com maior potencial de impacto social. Agradecemos ao IGM ter pensado na nossa casa. É com imenso orgulho que ouvimos as nossas pessoas e vemos o nosso Porto de Abrigo... é tão bom!

fomos ao teatro

No nosso Porto de Abrigo, o Preço Certo é um sucesso de audiências. Talvez seja digno de uma análise sociológica mais profunda... um programa cujo formato é extamente o mesmo há anos e anos, telespetadores fidelizados e um apresentador querido e adorado pelos fans. Soubemos que o Fernando Mendes estava no Teatro Sá da Bandeira com a peça Caixa Forte.

Como não podia deixar de ser, o verdadeiro fã é aquele que não perde a oportunidade de, ao vivo e a cores, manifestar o seu apreço. E assim, numa tarde de domingo apanhamos o comboio e fomos ao Porto ver o Fernando Mendes. A verdadeira estrela reconhece a importância dos seus admiradores e com a boa disposição que o caracteriza, veio ao nosso encontro, em plena rua Sá da Bandeira, prestigiar-nos com um abraço, um sorriso e o privilégio de uma foto. Sim! Comprovado! Uma experiência inesquecível!

Aos voluntários e aos familiares dos nossos residentes que nos acompanharam nesta aventura, o nosso sincero reconhecimento por nos ajudarem a criar mais um momento feliz.

se pudesse voltar a um sítio onde foi feliz? voltaria?

  • O Abrigo
  • creche
 

E se um belo dia de sol abrísse a caixa de correio e lá se encontrasse um convite inesperado? Imagine que o convidavam a percorrer os mesmos espaços, estar com as mesmas pessoas e viver momentos felizes idênticos aos que já viveu... Aceitava? Claro que sim!

Foi este o convite que fizemos aos meninos e meninas que já não frequentam a nossa creche: a possibilidade de revisitar cada cantinho, onde aprenderam a gatinhar, onde deram os primeiros passos, comeram a primeira sopa, fizeram verdadeiros amigos... A casa onde também choraram, riram, cairam, aprenderam... cresceram! E, se todos nós gostariamos de voltar ao sitio onde fomos felizes, termos recebido todos os meninos e meninas que aceitaram o nosso convite... Sim... certamente foram felizes aqui!

 

o nosso primeiro poster

  • O Abrigo
  • creche

 

A equipa da creche do Abrigo esteve presente no II Seminário Espaços para a Infância, promovido pela Associação Nacional de Intervenção Precoce (ANIP). O Seminário Espaços para a Infância teve como principal objetivo evidenciar o envolvimento, a escuta ativa e as aprendizagens significativas que ocorrem nos espaços exteriores, com crianças dos 0-3 anos, justificando assim a importância destes contextos no desenvolvimento global de cada criança. O Abrigo participou com um poster, "cheirinho a terra molhada", que retrata um projeto desenvolvido com as crianças da creche no espaço exterior do Abrigo. As crianças trabalharam a terra, plantaram, cuidaram e regaram. Depois de colhidos os legumes, saboreá-los no prato tem um gostinho muito especial.

Parar para pensar no que se faz e ouvir outras experiências é fundamental para crescer. Porque é impossível fazer diferente e melhor se não olharmos em volta... Participar neste seminário foi muito importante para a motivação da nossa equipa. É também nestes momentos que percebemos que estamos no bom caminho, que trabalhamos bem e que juntas somos EQUIPA! Valeu a pena!

era para ser, mas...

Nos últimos dois meses preparámos um encontro dirigido a profissionais que trabalham com pessoas idosas sob o tema "lar doce lar - ser feliz a trabalhar em lar de idosos". Queríamos um dia a ouvir as coisas boas que se fazem na nossa área de trabalho. Porque sobre as teorias e questões técnicas há muita gente a falar. Sobre experiências de sucesso, soluções inovadoras, o dia a dia... nem por isso. Tínhamos a certeza que ia ser um dia inesquecível.

Mas, efetivamente, o número de pessoas que se inscreveram não foram as suficientes para realizar um encontro no formato que pretendíamos. E, como tal, resta-nos informar que o "lar doce lar" foi cancelado. O sabor é amargo, quando sentimos frustração de não conseguirmos concretizar ou atingir algo que desejávamos. O que podemos aprender com o fracasso? São várias as teorias conceptuais sobre a importância de continuar a tentar, que vale sempre a pena, que é a forma como nos levantamos quando caímos que nos distingue, que é determinante etc, etc, blá, blá, blá… Mas, não é com lugares comuns que vamos encontrar consolo.

Fracassar é uma chatice, um desconsolo, e ninguém gosta! São horas de trabalho em vão, expectativas defraudadas, tentar perceber o que falhou, encontrar a explicação… É uma grande chatice! Era agora que supostamente contrariávamos esta ideia pessimista e devassadora com a importância de tentar, de arriscar, de fazer diferente, era não era? Pois, mas não vai ser. O fracasso doí. E assim termina o encontro que nunca aconteceu.

O dia 20 de Maio será para nós mais uma quarta-feira do mês de Maio. Uma outra quarta-feira em que vamos continuar a cuidar das pessoas para quem o Abrigo é uma casa fora de casa. Porque é para isso que cá estamos. Agora... vamos lá trabalhar.

tem 5 minutos?

Talvez sim. Pensando bem, coisa que não nos falta são 5 minutos. Difícil é decidir como usá-los da melhor maneira, sem ficar assim com a ideia de que foi tempo perdido. Se bem que era mesmo isso que lhe queria pedir, 5 minutos para se perder, a pensar sobre as pessoas felizes.

Lembre-se das pessoas felizes que conhece. Em 5 minutos talvez não lhes descubramos todos os truques que guardam debaixo da pele de pessoas comuns. Mas podemos levantar uma pontinha do véu e espreitar para nos inspirar.

Agradecer (v. Reconhecer. Retribuir). As pessoas felizes vivem a agradecer.

Demasiado evidente, poderá pensar. Mas o valor das coisas importantes está na maioria das vezes na sua simplicidade. Agradecer é isso mesmo: uma forma simples de dizer quão importante para a felicidade é reconhecer e retribuir.

Nem sempre o caminho que seguimos é certo, muitas vezes nem sabemos onde vai dar. Outras percebemos que queremos mudar de meta. Ou escolhemos antes um caminho diferente e é tempo de voltar atrás e recomeçar. Às vezes temos dúvidas, medos, ânsias. Em certos dias o entusiasmo é difícil de controlar. E desilusões, quando surgem, custam a passar.

Com as pessoas felizes, também é assim, afinal são pessoas comuns. Mas nunca se esquecem de agradecer. Partem do bom princípio de olhar ao redor, com olhos de ver. E às tantas torna-se natural reconhecer e retribuir, assim como uma forma de estar…e de ser, mais feliz.

Qual a melhor forma de tornar um hábito realmente natural? Praticar. Connosco, em primeiro lugar. Se chegou até aqui quem sabe se não irá experimentar: guardar 5 minutos do seu dia para reconhecer e retribuir algo de bom. Por outras palavras, agradecer. Escreva sobre isso, todos os dias. Acredite que pode ser transformador.

Marta Faria

da liberdade de pensamento

Ser livre? É “poder fazer tudo o que quiser”.

Há, de verdade, um impulso irresistível para associar a liberdade individual às circunstâncias de uma vida: mais ou menos dinheiro, mais ou menos saúde, mais ou menos responsabilidades…mais ou menos uma série de condições que nos garantem a liberdade de podermos fazer tudo o que quisermos. Aparentemente. Algo interessante acontece ao perguntar a quem diz ser livre o que quer então fazer. Não é pouco comum o levantar de sobrancelha como quem fica à procura da resposta…um certo desconforto por não ter na ponta da língua todos os pontos da lista de desejos pessoais ou por sabê-los um a um desencantadamente por concretizar…parece-lhe familiar? Não se acanhe, já todos passamos por isso. E já agora, isso, tem muito pouco que ver com liberdade, é apenas consequência de percebermos que não controlamos todas as coisas ao nosso redor. Mas voltemos à questão principal.

Ser livre é “poder pensar tudo o que quiser”.

Pensamento é liberdade: um constante vou ali e volto já (sem sair daqui, agora, e sempre que me apetecer). À primeira vista, pode parecer uma conquista muito pouco importante. Mas não é. Vamos testar? Imagine um daqueles dias, ou se lhe bastar, um daqueles momentos «quero-ir-para-a-ilha». E imagine que, no meio do caos, surge um pensamento que lhe dá alento e energia para continuar – a razão pela qual é importante o que estou a fazer, as pessoas que vou rever quando chegar ao fim, o que vou sentir depois de perceber que sou capaz de resolver.

Mudou alguma coisa? Provavelmente sim. Transformou a sua atitude num contexto que permaneceu igual. Ficou tudo resolvido? Provavelmente não, mas deu uma ajuda. Quando «quero-ir-para-a-ilha» qualquer ajuda é bem-vinda. Nada é maior do que o nosso pensamento. Nada nos leva mais longe ou mais fundo. Nada nos torna mais seguros do que sabermos o que pensamos. Nada nos dá mais confiança do que pensarmos antes de decidir. Nada nos faz mais únicos do que termos uma ideia própria, com a vantagem de se poder guardar para nós ou partilhar só com quem se quiser.

Marta Faria